quarta-feira, 3 de setembro de 2008

A literatura sobrevive e, às vezes, protagoniza.

Santa Catarina, eu repito, não é um estado de espírito. Preciso provar? Pois bem, então o faço através deste relato a respeito do I Encontro de Literatura e Artes e do III Fórum Brasileiro de Literatura de Blumenau, acontecido no passado mês de agosto.

Idealizado pelas professoras Tuca Ribeiro e Marilene Schramm, o evento foi acolhido pela FURB – Universidade Regional de Blumenau, pela Fundação Fritz Müller e pela Fundação Cultural de Blumenau, com o apoio da SEB – Sociedade Escritores de Blumenau.

FICÇÃO, LEITURA E IDENTIDADE

Foi com este tema que o escritor Godofredo de Oliveira Neto, blumenauense radicado no Rio de Janeiro, começou o evento. Godofredo, um dos maiores autores paridos por este estado e, atualmente, um dos maiores nomes da literatura brasileira, teve uma fala rica em reflexões a respeito da identidade do escritor e do leitor.

Autor de romances importantes na bibliografia nacional, como Pedaço de Santo e O Menino Oculto, Godofredo saiu aos 17 anos de Blumenau. Foi para a França, voltou, e já vive há bastante tempo no Rio. Mas o que isso teria a ver, afinal, com a sua escrita e a relação desta com o solo blumenauense? Talvez sejam necessárias raízes para se escrever e talvez essas raízes tenham importância desigual na composição literária.

Nada melhor para provar que, de fato, a relação do escritor com suas origens influenciam o seu texto. Para quem já o leu, é clara o contato que Godofredo mantém com terras catarinenses. E imagino que O Bruxo do Contestado, o primeiro romance famoso do autor, exemplifique o que tento dizer.

E O DIABO?

Boa pergunta. Muito boa mesmo! Pois que ele, o Diabo, talvez nunca tenha sido tão estudado e respeitado antes. É que a Profa. Dra. Salma Ferraz, da UFSC – Universidade Federal de Santa Catarina, grande estudiosa literária influenciada e protagonista em terras brasileiras da Teopoética (estudos comparados de literatura e teologia) veio nos falar sobre As Malasartes do Diabo na Literatura Ocidental.

Salma fez um panorama, portanto, comparando os estudos literários que remetem ao Santíssimo (falo de Deus), mas que dificilmente remetem ao tinhoso. Explanando, portanto, a Bíblia, a Torá e o Corão, partindo daí para análises de teólogos a respeito da figura do Diabo, utilizando-se também de algumas súmulas católicas e finalmente retomando análises literárias, Salma nos mostra que o Diabo, afinal, não somente é parte importante e necessária da fé ocidental, como uma grande figura merecedora de análise.

Ao final de sua fala (uma hora e meia sem respirar — fala substancial, sem dúvida — Salma lançou seu novo livro de ficção. Depois de O Ateu Ambulante, livro recheado de contos premiados e, por assim dizer, questionadores, Salma lança um livro mórbido. A Ceia dos Mortos não poderia falar sobre outra coisa se não sobre morte. O que se lê, adianto, são variações sobre o mesmo inevitável tema. E variações variadas, contundentes, merecedoras de leitura.

TEM LUGAR PRA POESIA?

Tem sim, leitor. Na terceira noite do evento, aconteceu a mesa-redonda Poesia Blumenauense: De Onde Viemos, Para Onde Vamos, onde tive o prazer de compartilhar a fala com grandes autores, merecedores de leitura e atenção. Ali estavam, portanto, o Prof. Dr. José Endoença Martins, o Ms. Marcelo Steil, o poeta Mauro Galvão e este que vos escreve, Marcelo Labes.

Falando sobre a poesia produzida em Blumenau desde o século XIX, quando ainda era escrita em língua alemã, Marcelo Steil construiu sua fala sobre as noções marxistas de ideologia os respectivos reflexos desta na criação literária. Em seguida, rompendo estruturas, o professor José Endoença Martins referiu-se não somente à teoria de sua autoria sobre a poesia blumenauense, como foi além, reconstruindo sua carreira poética e acadêmica, chegando à pós-modernidade e explicando, por exemplo, estudos seus sobre negrice, negritude e negritice.

Em seguida, Mauro Galvão contemplou a pós-modernidade presente em seu texto, mas principalmente refletiu a necessidade de se ler, seja lá o que for, incluindo aí a quebra de limites imposta pela internet e seus possíveis reflexos na leitura do objeto-livro e nos hábitos de leitura e escrita da contemporaneidade.

Finalizando, foi a minha vez de falar e não podia perder a oportunidade de explicar às pessoas que nos ouviam que, baseado no que tinha ouvido nos dois dias anteriores, a leitura dos poetas que me acompanhavam na mesa-redonda não era somente necessária, mas obrigatória. Não porque eles precisem vender livros, mas porque precisamos de leitores críticos. Dessa forma, uma vez que tratamos de literatura blumenauense, imagino que seja um caminho interessante iniciar a crítica a partir de nossa realidade.

UM EVENTO QUE AINDA PROMETE

A professora Tuca Ribeiro não escondeu suas intenções. “Queremos iniciar aqui uma nova Jornada Literária, uma nova FLIP”. De fato, o primeiro passo foi bem dado. Discutindo leitura, identidade, ficção, o diabo na literatura ou os caminhos da poesia escrita em Blumenau, imagino que possamos ter participado de algo maior.

A partir do momento em que o pontapé inicial foi dado, resta-nos esperar pelo ano que vem para sabermos o que de fato acontecerá. De qualquer forma, o que ficou claro durante este evento é que não há somente pessoas interessadas em discutir literatura, conforme as pessoas presentes que falaram a respeito de seus e outros textos. Sobretudo, e digo isso baseado nos presentes, há pessoas interessadas em ouvir o que se tem a dizer a respeito do texto literário. Dessa forma, o que se pode esperar é que a semente germine. Germine e dê frutos e se torne uma grande árvore. Árvore de textos ou qualquer coisa assim.

Publicado originalmente no Overmundo.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

FICÇÃO, LEITURA E IDENTIDADE



26 a 29 de agosto de 2008

CONVITE

Nos dias 26, 27, 28 e 29 de agosto do corrente ano, a FURB, em parceria com a Fundação Fritz Müller, realizará o 1º Encontro de Leitura e Arte de Santa Catarina e o 3º Fórum Brasileiro de Literatura de Blumenau. O evento ocorrerá nas dependências da Fundação Cultural de Blumenau e na FURB, conforme cronograma abaixo.
Convidamos você a participar do evento e divulgá-lo amplamente.
É uma oportunidade para incentivar a formação de leitores críticos e apreciadores de literatura, artes visuais, música e teatro.

Programação

1o. Encontro de Leitura e Arte de Santa Catarina e

3o. Fórum Brasileiro de Literatura de Blumenau

18:30 – FCBLU

26/08/08 – Abertura

Palestra: Blumenau – Ficção, paixão, identidade.

Dr. Godofredo de Oliveira Neto

27/08/08

Palestra: As malasartes do diabo na literatura ocidental

Dra. Salma Ferraz

Noite de autógrafos

28/08/08 - Mesa redonda:

Poesia blumenauense – de onde viemos, para onde vamos

Marcelo Labes, Dr. José Endoença Martins, Ms. Marcelo Steil, Mauro Galvão

Noite de autógrafos

14:00 – FCBLU

29/08/08 – Abertura da exposição “Ler é pra cima”

19:00 – Auditório Bloco T – FURB

29/08/08 – Palestra:

Moving Beyond Plateau – from Intermediate to Advanced Levels in Language Learning

Daniela A. Meyer

Inscrições: www.ffmblu.com.br ---- Informações: cce@furb.br - (47) 3321 0251
Coordenadoras: Maria José Ribeiro, Marilene de Lima Körting Schramm.

Deu pra ver ali a mesa-redonda? Pois bem, ela acontece justamente como complemento (ou contrapartida) do Projeto Falações. Antes de apresentar os integrantes da mesa, é necessário um agradecimento especial às professoras coordenadoras do evento, Tuca Ribeiro e Marilene Schramm, que adotaram a idéia da mesa-redonda, proveniente do projeto Falações, como parte integrante e necessária para o debate em torno da literatura.

Pois bem, participarão da mesa, portanto, quatro escritores de Blumenau que têm em comum publicações em poesia. No entanto, é preciso fazer a justa ressalva de que este colóquio inicial sente falta de algumas pessoas; mas pode ser o ponto inicial para uma série de conversas a respeito da produção literária a partir de Blumenau.

Dos participantes:

Foram convidados a integrar a mesa pessoas que podem ser consideradas peças-chave da poesia em Blumenau. A começar, portanto, a apresentação destes debatedores, elucido seus contatos com a cronologia da literatura blumenauense, para ficar claro.

Marcelo Steil, além da conhecida e respeitada produção poética na década de 1990 (de quando datam alguns das mais importantes obras literárias desta região), Steil também pôs-se a pesquisar a literatura em língua alemã escrita no Brasil no século XIX. Ao lado de Valburga Huber, Steil é um dos pesquisadores que com maior segurança pode falar a respeito deste fenômeno imigrante que foram a produção poética e o silenciamente ocasionado pelos ideais do Estado Novo, de Vargas.

José Endoença Martins é poeta, escritor e dramaturgo. Não bastasse, é o grande teórico da produção literária em Blumenau. Emprestando conceitos como Deutschtum e Brasilianertum, Saudade e Esperança, de Huber e Steil, Endoença questiona a Blumenalva e a Nauemblu, correntes teórico-literárias opostas e dependentes uma da outra. Figura, hoje, como um dos maiores poetas de Santa Catarina.

Mauro Galvão, ao lado de Steil e Endoença, integrou o grupo de poetas experimentalistas da década de 1990. Tendo publicado seu último livro em 2002, tem muito a compartilhar a respeito de poesia. Com uma escrita seca e de alta informatividade, Galvão encontra-se dentre os escritores pós-modernos catarinenses; embora respeitado pela crítica, ainda merece aprofundamentos em sua literatura.

Marcelo Labes é este que vos escreve. Com uma participação quase-ativa na internet, publicou seu primeiro livro neste ano de 2008. Otimista, acredita que ainda há muito que se ler em Santa Catarina. Isso porque leitura quase sempre acaba em escrita. E escrita sobre a leitura, que é o que se faz aqui, é uma das melhores maneiras de se aprimorar a escrita da crítica e dos respectivos escritores. Por isso, enquanto não se decepciona, procura construir debates sóbrios a respeito da produção literária catarinense.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Poesia Twist, por Rodrigo Oliveira

A verdadeira surpresa surge quando alguém que escreve passa a comentar a escrita do outro. Leitores atentos, os há em cada canto, claro! Mas Rodrigo Oliveira foi além de um leitor atento e escreveu o texto a seguir sobre Falações:

Poesia Twist. Poesia com um toque de limão.

Quando eu era bem mais novo, havia um limoeiro em minha casa. Pequeninho, mas dava uns limõezinhos. E lá ia eu, catava um limão e, não muito esperto, chupava. Era azedo. Não tinha jeito de chupar aquilo sem fazer careta. E se tinha um corte ou uma afta na boca, pior ainda. Aquilo ardia como os diabos. E o pior é que depois de tudo isso, não tinha como não repetir o processo. E eu ficava ali. Chupava o limão azedo, fazia careta, ardia, mas continuava. Excluindo-se a possibilidade de eu ter sido uma criança não muito esperta ou possíveis tendências masoquistas, é mais ou menos isso que aconteceu quando comecei a folhear Falações, livro de poemas de Marcelo Labes.

Não foi fácil ler Falações sem fazer careta. Labes destila um suco ácido e, com freqüência, azedo. E eu cá com minhas aftas e cortes, volta e meia senti arder os versos do autor. Falações se divide em quatro momentos distintos. Altenatintas abre com o solitário Até Quando e já pincela os primeiros elementos melancólicos que vêm se repetir mais tarde, e lembra, com uma escada 'reta em caracol', que “não se pode voltar atrás / quando se diz que ama”. Fiação e Tecelagem traz a acidez na leitura da vida operária “de 8 horas trabalhadas / e 16 de aflição” que termina com “casa na praia encostada / carro do ano passado / e plena realização: / artrite artrose bursite / aposentadoria e caixão”. É seguido pelo azedo Manhã, difícil de engolir como a constatação “Por que não respondes? / Meu Deus, / estás fria!”. No capítulo se destaca ainda O Barco, que atenta em letras garrafais “NUMA CIDADE VITRINE / FORA DE TOM É PECADO”, num retrato de um barco que “porque não navega / não pode ser afundado”. Este poema, ao lado de Fiação e Tecelagem, torna difícil sair de manhã e não rever suas linhas na nas ruas da cidade. Mas ainda assim, tudo parece passar voando, quase despercebido pela maioria. Como descobre Passarinho com seu final seco e despreocupado “Que foi isso? / e virou-se para o lado. / Passarinho na janela, / disse ela”. Assim fica mais fácil concordar com o narrador em Bi-bap-dera-nudara, que pede: “Acende, Maria, o pavio / e deixa a vida explodir”. O capítulo encerra escarrando suas verdades, tentando aparentemente expeli-las, livrar-se delas com Expectorante, que tenta com força “Cuspir fora saudade, lembranças. / Cuspir fora saudade, tristeza. / Cuspir e ver escorregar. / Verde”.

Em Reflexscintos destaco o lírico Canção que parece, junto com Sapiência Cartesia uma tentativa do autor, não em definir-se, mas em encontrar-se. Chamou-me a atenção o fato de que, nos dois poemas, o poeta o é, através dos outros, nunca de si mesmo. Em Canção “Eu me chamo aquilo que dizes”, “Eu me chamo o nome que vais dizer”, “Eu chamo / a tua alegria / ao repetires o som / do meu nome” e em Sapiência Cartesiana “E os que me querem saber / acabam me sendo. / Sou todos os que me sabem eu”. O poeta, procurando encontrar-se, perde-se (ou finalmente encontra-se) no leitor. O autor deixa-se arrebatar novamente pela estética crua, curta e grossa no impactante In Vitro que encerra o beijo com trinta e dois dentes quebrados. A saudade também deixa sua acidez em Ontem e Simplificante, uma saudade que arde como limão em boca machucada.

Febres traz uma série de dez poemas. O capítulo tem, evidentemente, certa unidade semântica e mesmo estética, mas esta é solta, flertando com o non sense, os poemas bastante independentes. Dentre as febres de Labes, chamo atenção para Febre#07 onde o tornar-se adulto é chato mas sem remédio, Febre#08 com o poeta em busca do grande poema, mas termina entregando-se “escreveria o grande poema / se soubesse por que”. O ótimo Febre#10 retorna com toda a acidez e inunda nossas chagas com o ardor da constatação: “Caíram-me os pêlos, / a origem insiste. / Bicho”. Febre#12 retoma o ataque ao “Produto financiado / por bandas de rock inglês / e poetas franceses / que não compreendes”.

Por fim, intransiGENTES, encerra os capítulos num apanhado da obra. para paula (assim, em minúsculo mesmo) brinca com as palavras “plantandolorosamente um canto”. O Filósofoso “Tentou viver de idéias / e morreu de fome” e acabou por “pôr para fora as verdades / que só a ele pertenciam, e mais ninguém”. Em Iminência percebe-se “Que não valia a pena / viver sob certas iminências” e nos afogamos junto com os personagens. Mas em Findados o narrador ensina: “Vós, que morrestes, o mundo, / o mundo é sempre dos vivos”. E retoma com Cíclico sobre aqueles que se deixaram afogar: “(e há uma semana enterrado, / o que terá pensado / quando o primeiro verme matutino / veio lhe perfurar a coxa)”. Ainda assim Fatalidade parece lembrar que esse mesmo afogamento é inevitável: “Causa mortis: afogamento: não parava de chorar.” Retomando estas constatações Ratos encerra rápido, dinâmico (quase musical) e ainda ácido um apanhado de verdades roídas e a presciência “Vai ter pesadelo, filhinho / e acordar com a cara inchada”.

A obra conta ainda com um ensaio de José Endoença Martins, localizando Labes dentre os poetas blumenauenses. Vale a pena ler até para descobrir novos nomes da poesia de Blumenau.

Ao espremer Falações, o leitor deve também se deparar com o mesmo sumo ácido que me chamou a atenção. E cuidado: se você também tiver algumas fissuras, a leitura pode lhe arder à boca. Se há algo de doce em Falações — e há, sem dúvida — serve para aumentar o contraste com a acidez da obra. Mas se você for como eu, vai perceber que não é tão fácil largar Falações, mesmo fazendo careta. Talvez a resposta não esteja impressa no livro, mas uma pista descobri na página de rosto. Adquiri o livro do próprio autor, no lançamento, com o devido autógrafo e dedicatória. Como de costume, só li a dedicatória em casa, quando fui dar as primeiras folheadas no livro, no dia seguinte. E lá estava, na caligrafia de Labes: “Eu insisto: há que se escrever, há que se escrever mais. Vamos, então, adiante”. Talvez seja isso. Ainda que tenhamos o azedume e a acidez dos limões, é preciso escrever. É preciso ler. Afinal, como dizem por aí, se a vida nos dá a acidez dos limões, façamos, pois, limonada. Ou poesia.


Como não me canso de falar, a grande proposta deste blog ou do projeto que deu origem ao livro é a discussão sobre literatura. Que a discussão nos fortaleça, então!


quinta-feira, 31 de julho de 2008

O Detetive de Florianópolis

Há 25 anos, surgia nas páginas dO Estado uma figura que se tornaria lendária entre leitores assíduos de literatura de suspense. Hoje, se vê que O Detetive de Florianópolis, do escritor catarinense Jair Francisco Hamms, ia muito além de pregar o leitor em suas páginas.

Se Bagé tem o seu analista e Curitiba tem o seu vampiro, Florianópolis não fica atrás. Data de 1983 a compilação de crônicas O Detetive de Florianópolis, de Jair Francisco Hamms.

Da ironia ao escracho, acompanhamos, do surgimento ao casamento, o “desempregado, endividado, nervoso, aporrinhado à beça, Domingos Tertuliano Tive”, D.T. Tive – detetive particular. Em dez crônicas, Hamms consegue fazer rir, rir muito, e ainda nos deixa com gosto de quero mais, depois que Tive casa-se com a sua... bem, não é interessante entregar o jogo, ainda mais em caso de investigação.

A semelhança com O Analista de Bagé surge desde a capa. Publicado cinco anos antes por Luis Fernando Veríssimo, O Analista também surgiu primeiro em jornais, para depois ocupar as páginas do livro que todos conhecemos. No entanto, não vão muito longe as semelhanças: o personagem de Hamms é astuto, sedutor e em diversas ocasiões, um galanteador refinado.

Se precisávamos de um herói catarinense que agradasse a muitos gostos, ele está ali. É o tipo que acorda, olha pela janela, sabe que precisa se mexer e não consegue sair da cama. Conversando com seus botões, ouve de um deles o conselho: “Que eu saiba, a cidade não tem um só detetive particular”. Dessa forma, com dinheiro emprestado, Tive inicia uma carreira promissora e cheia de situações embaraçosas, nunca menos engraçadas.

Dessa forma, começa a investigar crimes os mais bizarros, como o caso da morte do lebréu russo, do lobisomem de Saco Grande, dos dólares de Chapecó... Acompanhado pela piramidal secretária Ivete, Tive muito simplesmente resolve casos que, às vezes, não precisam de muito esforço; é aí que faz sucesso e fortuna. Para importunar — porque sempre alguém vem encher o saco — temos ali o Pereira, piadista de mau-gosto que procura tirar o brilho de nosso herói. Às vezes quase consegue, mas Tive não se deixa enrolar. Ah, isso não.

O mais instigante na obra de Hamms é que não podemos chamá-lo simplesmente como “o cara do detetive”. Pelo título do livro, pelas primeiras dez crônicas, até que sim. Mas não pelo todo. Este livro, por exemplo, traz mais 21 crônicas onde o autor mostra como consegue narrar sensivelmente casos (reais ou inventados) do cotidiano. Uma pena que não consigamos encontrá-lo nas livrarias.

Mas Hamms é cultuado pelos leitores assíduos de literatura de suspense. Não à toa: unir uma boa história a bom-humor não é pra qualquer um. Na internet, o escritor catarinense aparece em sites de sebos e raridades, onde é possível comprar O Detetive... a partir de R$10,00. O meu exemplar, comprei por R$3,00 num sebo de Blumenau.

Não se trata somente de ler Hamms, de se divertir com as aventuras de seu personagem. Trata-se de refletir um pouco o mercado (?) editorial de e em Santa Catarina. Hamms, que eu saiba, não escreveu por muito tempo. Mas o que escreveu é bom. Por que teria desistido? Seria pela falta de leitores? Seria por ver seus livros acabarem-se nos sebos antes mesmo de serem lidos, discutidos, lembrados? Sem dúvida, poderíamos perguntar a D.T. Tive onde foi parar o escritor que, com um livro apenas, fez história. Se Tive ainda existisse, claro. Mas ficou lá, nas páginas amareladas de 25 anos atrás.

A edição única de O Detetive de Florianópolis foi publicada em parceria entre O Estado, onde foram publicadas inicialmente as crônicas e a Editora da UFSC. Pesquisando por aqui, na internet, encontrei mais alguns livros de Hamms: O Vendedor de Maravilhas, Samba no Céu e um outro, de que não me recordo. Para comprar pela internet, há disponíveis os sites Gojaba.com e o Traça.

Boa leitura!

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Falações a respeito de Falações

Falações foi lançado no último dia 22. Neste post, que não expirará ou será substituído, pelo menos por enquanto, tentarei compartilhar o que se disse a respeito do livro. Por enquanto, então, deixo os comentários publicados no Jornal de Santa Catarina, em A Notícia e no Diário Catarinense.

Logo, espero redirecionar para outras paragens. Mesmo porque há muito sobre o que falar. Temos, por exemplo, os 25 anos do Detetive de Florianópolis; temos Gregory Haertel com o romance Aguardo, romace há muito esperado por estas terras de cá e temos de apresentar, para quem ainda não conhece, o escritor catarioca Godofredo de Oliveira Neto, que estará em Blumenau no mês de agosto. Mas isso são planos.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Falações - onde adquirir o seu

Falações será lançado somente na terça-feira, dia 22, mas já está disponível para compra.

Em Blumenau, o livro pode ser encontrado na 100% Vídeo (Rua 7 de Setembro, 1820 - esquina com Rua Paulo Zimmermann) e nas duas lojas da Livraria Alemã (Mega Store da Amadeu da Luz e no Shopping Neumarkt) e na Blulivros, no 2o. andar do Shopping H.

Para quem é de fora e quiser adquirir seu exemplar, ele está disponível no site da Edifurb. Quem vende são as Livraria Cultura, Livros & Livros, Saraiva, Leonardo da Vinci e Cia. dos Livros através de compra on-line. E ATENÇÃO: descontão na livraria Poïesis. Clique aqui para saber.

Quem quiser contatar o autor - o livro é vendido a preço promocional - pode fazê-lo através do e-mail labesmar@gmail.com .

Pois bem. Ainda nos vemos terça-feira!

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Falações - Lançamento




FALAÇÕES - POEMAS

Falações pretende ser mais do que um livro. Não é a toa que tem o mesmo nome deste blog — e o projeto, de mesmo nome. Sem a pretensão de quebrar alguns paradigmas para depois construir outros, o que está em jogo é a discussão. Talvez não valha a pena tratar agora de questões espirituais (do que é feita a poesia, do que é feito o poeta), mas focar em outros pontos: existe uma produção literária interessante em Blumenau? A poesia está viva, morta, moribunda? E poeta, quem pode ser?

Para tais questões, este blog está aberto. Aliás, tenho sabido ultimamente que muito mais pessoas acompanham este espaço do que eu supunha. E, tenho percebido, a discussão em torno da produção literária local não está longe de acontecer de forma sadia — e ao contrário do que se pudesse supor, tem muita gente a fim de conversar a respeito.

Livro pronto, esperando o lançamento, é hora de anunciar o que está por vir. No início de agosto, acontecerá no SESC Blumenau a oficina “Poesia blumenauense: de onde viemos, para onde vamos”. Este poderá ser um espaço interessante para que o diálogo, que já começou, tome forma. Tratarei, nesta ocasião, de estabelecer a cronologia desta produção poética e buscar compreendê-la através das teorias de Valburga Huber e José Endoença Martins.

A seguir, ainda no mês de agosto, acontecerá durante I Encontro de Leitura e Artes de Santa Catarina e III Fórum Brasileiro de Literatura de Blumenau uma mesa redonda. Nesta ocasião, com as presenças já confirmadas de José Endoença Martins e Mauro Galvão, se falará então dessa produção poética a partir de Blumenau, mas com pontos de vista diferentes. Não tenho dúvidas de que ali o grande objetivo de Falações será alcançado. Ou o primeiro grande objetivo.

LANÇAMENTO(S)

A primeira aparição de Falações acontecerá durante o Primeiro Aniversário do Movimento 13 de Julho, evento organizado pelo SINSEPES, a partir das 16:00h no saguão do bloco A da FURB. Estarão presentes também os autores José Endoença Martins, Urda Kluger, Maicon Tenfen e Viegas Fernandes da Costa.

Já o lançamento oficial acontece no dia 22 de julho no Butiquin Wollstein, na rua Floriano Peixoto, 89, no centro de Blumenau. A partir das 19:30 acontecerá a cerimônia de lançamento, com os devidos agradecimentos às várias pessoas que auxiliaram, de alguma forma, na realização deste projeto.

Estão todos convidados, claro! Quem quiser saber do que se trata antes do lançamento do dia 22 pode adquirir seu exemplar comigo ou na 100% Vídeo de Blumenau, na esquina da 7 de Setembro com a Paulo Zimmermann. Logo o livro estará à venda pela internet e em demais regiões do país. Por enquanto, somente em Blumenau.

Até o lançamento, então. Grande abraço!